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Governo Lula vai editar nova regra sobre abordagens policiais a suspeitos, uso de armas e algemas

Redação Folha Expressa Por Redação Folha Expressa
24 de setembro de 2024
em Polícia, Política
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O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai lançar uma nova portaria que estabelecerá diretrizes rigorosas sobre o uso da força, que deverão ser seguidas pelas polícias civil e militar de todo o Brasil, além das guardas municipais. O novo regulamento tem como princípio o emprego de armas de fogo apenas como “último recurso”, limita as condições em que uma pessoa pode ser submetida a uma revista e exige uma justificativa formal por escrito quando o uso de algemas for considerado excepcional.

Essa iniciativa visa atualizar as normas definidas em uma portaria de 2010, reunindo em um único documento leis, recomendações e tecnologias que estavam dispersas. De acordo com especialistas do governo, o principal objetivo é diminuir a letalidade nas ações das forças de segurança.

Uma mudança significativa proposta na nova cartilha é que Estados que não aderirem a essas diretrizes poderão ser excluídos do repasse do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) destinado a ações de controle do uso da força, como a aquisição de equipamentos especializados. Anteriormente, o governo apenas “considerava” a observância das diretrizes ao fazer essas transferências. Essa alteração tem como meta incentivar os Estados a seguirem as novas orientações.

Recentemente, o Ministério da Justiça promoveu um seminário para discutir essas diretrizes e recebeu contribuições. Em nota, a pasta esclareceu que o documento ainda está em processo interno e que o prazo para sua publicação, assim como a possibilidade de consulta pública, será definido em breve.

Os dados de 2023 revelam que a intervenção policial resultou em uma média de 17 mortes diárias, totalizando 6.393 ocorrências ao longo do ano, conforme o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. A violência policial tem aumentado na última década, com registros de pelo menos 6 mil mortes anuais desde 2018.

Desde janeiro, um grupo de trabalho coordenado pela Secretaria Nacional de Segurança Pública, do Ministério da Justiça, tem se reunido para discutir a nova diretriz nacional, tendo apresentado uma primeira versão em setembro. O grupo conta com a participação de representantes de várias polícias e de ministérios, incluindo Direitos Humanos e Igualdade Racial.

Sandro Avelar, presidente do Conselho Nacional de Secretários de Segurança Pública (Consesp), afirmou que o colegiado só se posicionará formalmente sobre a minuta na próxima reunião em outubro, ressaltando a necessidade de ouvir os colegas secretários antes, uma vez que diferentes Estados têm visões divergentes sobre a atuação policial.

A nova portaria gerou descontentamento entre a “bancada da bala”. O deputado Alberto Fraga (PL-DF) criticou a iniciativa, classificando-a como uma demonstração de incompetência e destacando que o governo não parece reconhecer a realidade da violência no Brasil. Ele comparou o entendimento do governo sobre segurança pública a um “cavalo tocando piano”.

Por outro lado, Reinaldo Monteiro, presidente da Associação Nacional dos Guardas Municipais do Brasil e membro do grupo de trabalho, acredita que as novas diretrizes proporcionarão segurança tanto para os policiais quanto para a população. Segundo ele, o objetivo é estabelecer normas claras que respeitem os direitos humanos, promovendo um entendimento fácil para a sociedade sobre o uso da força.

Com cerca de 100 mil guardas municipais atuando no Brasil, essa força de segurança tem crescido, mas é frequentemente criticada por excesso de poder e falta de regulamentação. O Conselho Nacional do Ministério Público já criou uma Ouvidoria de Combate à Violência Policial em resposta a esses excessos.

Uma versão preliminar da nova portaria deverá ser disponibilizada para consulta pública em breve. A elaboração do documento ainda está sendo realizada na pasta do ministro Ricardo Lewandowski.

O Ministério da Justiça avalia que a falta de “protocolos claros” para o uso da força tem contribuído para a formação inadequada dos profissionais de segurança, resultando em ações violentas que, paradoxalmente, aumentam a violência.

O contexto da violência policial no Brasil é alarmante, sendo a Bahia um dos Estados com as maiores taxas. No ano passado, a polícia baiana foi responsável por 1.699 mortes, um dado que pesa sobre a gestão do PT, que está à frente do governo baiano há 17 anos.

Principais mudanças propostas

As diretrizes atuais para o uso da força estão estabelecidas na Portaria Interministerial 4.226, de 2010. O Ministério da Justiça, em janeiro, criou um grupo de trabalho para atualizar este documento, e aqui estão algumas das novas propostas:

Uso de arma de fogo:

Proposta: Utilizar como último recurso.

Atualmente: Não disparar contra indivíduos, exceto em casos de legítima defesa ou perigo iminente.

Objetivo: Alinhar a norma com princípios contemporâneos.

Gerenciamento de crise/Planejamento de operações:

Proposta: Planejar operações com base em informações de inteligência.

Atualmente: Não há diretrizes gerais.

Gravação:

Proposta: Realizar gravações de vídeo sempre que possível.

Atualmente: Não há diretrizes gerais.

Tomada de decisão:

Proposta: Documentar e justificar decisões durante operações.

Atualmente: Sem diretrizes específicas.

Abordagens de suspeitos e buscas em casas:

Regras para revista:

Proposta: O policial deve informar claramente o motivo da abordagem e os direitos do cidadão.

Atualmente: Sem diretrizes específicas.

Produção de dados:

Proposta: Registrar informações sobre a abordagem.

Atualmente: Sem diretrizes específicas.

Busca domiciliar:

Proposta: Solicitar e registrar consentimento do morador quando não houver mandado.

Atualmente: Sem diretrizes específicas.

Utilização de algemas:

Proposta: Uso apenas em casos de resistência, risco de fuga ou perigo à integridade; justificativa por escrito para uso excepcional.

Atualmente: Sem diretrizes específicas.

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