No último dia 9 de dezembro de 2025, o prefeito de Cocal, Cristiano Brito, assinou o Decreto nº 67, que determinou a exoneração de todos os servidores ocupantes de cargos comissionados, funções de confiança e gratificadas da administração direta e indireta do município. Apesar de assinado no dia 9, o decreto só foi publicado no Diário Oficial dos Municípios no dia 15, e a informação chegou aos servidores apenas dias depois, de forma abrupta e sem aviso prévio.
A medida atingiu praticamente toda a estrutura administrativa do município, com exceção apenas de secretários municipais, Procuradoria-Geral, Controladoria, servidores da Secretaria de Finanças, membros da Comissão Permanente de Licitação, fiscais de contrato e diretores escolares, considerados cargos essenciais para a continuidade mínima da gestão.
O que transforma o decreto em um episódio ainda mais grave, segundo denúncias feitas por servidores, é a postura adotada pelo prefeito após a decisão. De acordo com os relatos, até mesmo os servidores mantidos nos cargos essenciais foram avisados de que só receberão pagamento em fevereiro, sendo obrigados a continuar trabalhando sem salário durante esse período, sob a ameaça de não retornarem às funções após o recesso.
Segundo a denúncia, o recado dado pelo prefeito foi direto e considerado ofensivo:
“Quem não recebeu ainda esse mês, só em fevereiro. E se estiver achando ruim, é só sair, porque tem muita gente querendo as vagas.”
A fala caiu como uma bomba dentro da administração municipal. Muitos servidores relatam desespero, já que foram pegos completamente de surpresa, possuem dívidas, financiamentos e compromissos financeiros assumidos contando com o salário do mês. Para eles, a decisão representa não apenas uma exoneração, mas uma situação de insegurança financeira e humilhação institucional.
No texto do decreto, a Prefeitura justifica a exoneração em massa com base nos princípios da eficiência, economicidade e supremacia do interesse público, além de destacar que cargos comissionados não possuem estabilidade. No entanto, na prática, o que se vê é uma gestão que usa a legalidade como escudo para decisões socialmente duras, sem diálogo, sem planejamento e sem sensibilidade humana.
O atraso deliberado na publicação do decreto, assinado no dia 9 e divulgado oficialmente apenas no dia 15, também é alvo de críticas. Para servidores, a manobra aumentou a insegurança e alimentou a sensação de que a gestão tentou ganhar tempo enquanto mantinha trabalhadores no escuro, muitos deles ainda exercendo funções sem saber que já estavam exonerados.









